
As declarações de Donald Trump sobre a permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos abrem o resumo, que traz ainda a negativa de Marco Rubio sobre ajuda americana à fuga do senador, as denúncias de assédio eleitoral nas empresas, as casas de um advogado investigado em ilhas de Angra dos Reis e a decisão que dá à família de Tancredo Neves acesso a documentos médicos.
Trump diz que não pretende encontrar Flávio Bolsonaro, mas que o senador pode ficar nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado (31) que não tem planos de se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas que o brasileiro pode continuar no país pelo tempo que desejar. A resposta foi dada a jornalistas em Mar-a-Lago, sua residência em Palm Beach, na Flórida, quando lhe perguntaram se haveria algum encontro com o senador enquanto estivesse no estado. Trump afirmou considerar que Flávio foi muito maltratado no Brasil.
Ao ser questionado em seguida se já havia conversado com o senador, o republicano repetiu a mesma resposta e acrescentou que, em sua avaliação, a eleição brasileira foi uma vergonha, termo que já tinha usado antes para se referir à disputa. Flávio desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de descumprir a ordem judicial de entregar o passaporte no Brasil, e ele e a família obtiveram uma autorização condicional para permanecer em território americano.
Flávio foi o candidato do PL à Presidência neste ano, com o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na noite de 25 de outubro, dia do segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou recolher seus passaportes e proibiu sua saída do país, a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga. Em 28 de outubro, já nos Estados Unidos, o senador tornou pública uma carta em que se apresentava como o legítimo vencedor da eleição presidencial.
Rubio nega que governo americano tenha participado da fuga de Flávio Bolsonaro
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31), a jornalistas em Atlanta, onde participava do encontro de ministros das Relações Exteriores do G20, que o governo americano não teve participação direta na saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. Segundo Rubio, o senador já tinha visto de entrada, e o presidente Donald Trump decidiu permitir que ele entrasse no país. Questionado sobre uma eventual ajuda à fuga, o secretário respondeu que Washington não facilitou nada.
O diretor da companhia aérea responsável pelo voo declarou que o avião foi pago por um intermediário a partir de uma conta bancária nos Estados Unidos. Uma fonte diplomática brasileira, sob anonimato, disse que o representante argentino foi chamado para dar explicações, o que o chanceler da Argentina negou. A Polícia Federal investiga se o senador teve ajuda, inclusive do governo de Javier Milei, e ainda tenta esclarecer o trajeto entre Brasília e Foz do Iguaçu, na fronteira.
Filho de imigrantes cubanos e nascido em Miami, Rubio foi senador pela Flórida de 2011 a 2025 e assumiu a Secretaria de Estado no segundo mandato de Trump. Flávio, alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, saiu do país depois que o ministro Alexandre de Moraes ordenou a entrega de seus passaportes e chegou aos Estados Unidos passando pela Argentina e pelo Equador. O pai do senador, Jair Bolsonaro, está em prisão domiciliar, condenado a 27 anos por tramar um golpe de Estado.
Ministério do Trabalho recebe mais de 4 mil denúncias de assédio eleitoral em três dias
O Ministério do Trabalho e Emprego informou neste sábado (31) ter recebido 4.305 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho entre quarta-feira (28) e sexta-feira (30), os três primeiros dias de funcionamento de um canal criado para esse tipo de queixa. O Sudeste concentra 2.087 registros, o equivalente a 48,5% do total, e São Paulo lidera entre os estados, com 1.325 relatos, à frente do Rio de Janeiro, com 354, e de Minas Gerais, com 345.
Depois do Sudeste aparecem o Nordeste, com 784 denúncias, o Sul, com 757, o Centro-Oeste, com 378, e o Norte, com 299. Segundo a pasta, a Auditoria Fiscal do Trabalho analisa os casos, e o registro, por si só, não comprova o assédio. O ministro Luiz Marinho afirmou que nenhum empregador pode usar sua posição para interferir no voto dos empregados, e o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Henrique, disse que casos confirmados podem ser comunicados ao Banco Central.
O aumento ocorre em meio a publicações nas redes sociais que defendem demitir ou não contratar trabalhadores por preferência política e a listas de boicote a empresas apontadas como apoiadoras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo (25). Considera-se assédio eleitoral a tentativa do empregador de influenciar o voto com ameaças como demissão, corte de salário ou rebaixamento de cargo. O ministério foi extinto em 2019, recriado em 2021 e voltou a ter o nome atual em 2023.
Advogado investigado com Flávio tem outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis
O advogado Willer Tomaz, investigado no Supremo Tribunal Federal com o senador Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro, tem, por meio de empresas, outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, além do imóvel que disputa com o atacante Richarlison. Um levantamento nos sistemas da Secretaria do Patrimônio da União e em cartórios mostra que, com uma exceção, os imóveis foram comprados entre 2021 e 2022.
As compras coincidiram com o período em que Flávio apresentou ao Senado um projeto que permite municipalizar unidades de conservação da região e relatou a PEC das Praias, que abre caminho à privatização de ilhas hoje pertencentes à União; os dois textos seguem em tramitação. O imóvel de maior valor registrado, de R$ 23,7 milhões, fica na Ilha do José André, onde Tomaz planejava um resort de luxo que não avançou. Os dois dizem ser amigos, mas negam ter negócios em comum.
Richarlison, atacante do Tottenham, publicou vídeos em 17 e 21 de outubro acusando Flávio de envolvimento na disputa pela casa na Ilha Comprida, que diz ocupar desde 2020 e na qual afirma ter investido R$ 10 milhões. O pedido de regularização da empresa do jogador, feito em 2021, não andou, enquanto em julho de 2022 o órgão federal autorizou no mesmo dia a transferência do direito de ocupação para uma empresa de Tomaz. O advogado sustenta que o atleta pagou a posseiros.
Justiça libera à família documentos sigilosos sobre a internação de Tancredo Neves
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, por unanimidade, que a família de Tancredo Neves pode ter acesso a documentos sigilosos sobre a internação do então presidente eleito no Hospital de Base, em Brasília, em 1985. Com a decisão, o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal devem entregar prontuários, a relação dos médicos que o atenderam e outros registros. As duas entidades disseram que ainda não foram notificadas oficialmente.
A família quer esclarecer a suspeita de erro médico. A advogada e porta-voz dos parentes, Juliana Porcaro, contou que os conselhos haviam recusado o pedido com base no sigilo entre médico e paciente, o que levou o caso aos tribunais. Entre as dúvidas levantadas estão a escolha por uma cirurgia de emergência contra a diverticulite, a presença de mais de 30 pessoas na sala de operação e uma advertência aplicada pelo conselho regional a médicos da equipe, cujo motivo nunca foi divulgado.
Tancredo foi escolhido pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, com 480 votos contra 180 dados a Paulo Maluf, e seria o primeiro presidente civil depois de duas décadas de regime militar. Internado na véspera da posse, morreu em 21 de abril de 1985, e o vice, José Sarney, assumiu o governo. A busca por explicações ganhou força em 2010, com a publicação de um livro do escritor Luís Mir, que investigou o caso com autorização da família.